Em um contexto altamente polarizado como o das eleições de 2022 no Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez uma acusação direta a Carla Zambelli, deputada federal do PL, atribuindo à parlamentar a culpa por sua derrota nas urnas. A alegação de Bolsonaro de que Zambelli “tirou o mandato” do então presidente surge de um episódio emblemático que ocorreu na véspera do segundo turno, quando Zambelli, armada, perseguiu um apoiador de Luiz Inácio Lula da Silva pelas ruas de São Paulo. Esse momento gerou repercussões não apenas no meio político, mas também em grande parte da sociedade brasileira.
O ex-presidente afirmou, em entrevista recente, que a imagem da deputada com uma arma perseguiu o apoio popular que ainda estava indeciso. Para Bolsonaro, a cena, amplamente divulgada, associou a defesa do armamento, uma bandeira sua, a um clima de violência que afastou potenciais eleitores, mesmo entre aqueles que inicialmente não apoiavam Lula. A sensação de insegurança gerada pela perseguição foi apontada como um fator crucial para a perda de votos que poderiam ter garantido a reeleição de Bolsonaro.
Na visão do ex-presidente, a repercussão negativa da ação de Zambelli foi um divisor de águas nas eleições de 2022. A imagem da deputada armada, perseguindo um adversário político, foi amplamente disseminada nas redes sociais e veículos de comunicação, tornando-se um símbolo de um clima de radicalização que caracterizou o período eleitoral. Para muitos, a cena representou uma falta de controle e responsabilidade, que acabou refletindo na avaliação negativa de Bolsonaro como líder.
A situação jurídica de Carla Zambelli também é um ponto de destaque neste episódio. Ela pode ser condenada a até cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, crimes que são analisados pelo Supremo Tribunal Federal. O caso ainda está em julgamento, mas já há votos favoráveis à condenação da deputada, o que poderia resultar, além da pena de prisão, na perda de seu mandato. A sociedade, então, observa o desenrolar deste julgamento como mais um reflexo da polarização política que tomou conta do Brasil nos últimos anos.
Esse episódio envolvendo Carla Zambelli não foi isolado. Ele se insere em um contexto de crescente radicalização no cenário político nacional, com figuras como a deputada constantemente desafiando os limites da legalidade em nome de ideais políticos. A ação de Zambelli teve como pano de fundo o acirramento das tensões durante a disputa entre Bolsonaro e Lula, onde episódios de violência e intimidação passaram a ser mais frequentes, alimentando um ambiente de constante instabilidade.
O impacto desse incidente nas urnas foi direto e indireto. Directamente, a agressão pública de Zambelli e sua postura radicalizada afastaram eleitores moderados e indecisos, que não viam no governo Bolsonaro uma alternativa viável. Indiretamente, o episódio alimentou narrativas de que o governo estava se alinhando cada vez mais com práticas autoritárias, o que acabou prejudicando sua imagem. A repercussão desse episódio, amplificada pelas redes sociais, não deu espaço para um reposicionamento do ex-presidente e seus aliados.
De fato, o papel das redes sociais nas eleições de 2022 foi determinante, e a velocidade com que a imagem de Zambelli se espalhou foi uma das principais responsáveis pela amplificação do caso. No entanto, não se pode negar que a exposição política do ex-presidente Bolsonaro foi marcada por diversas outras controvérsias que também impactaram diretamente no resultado das eleições. O episódio com Zambelli é, portanto, mais um capítulo de um cenário político turbulento.
Enquanto o julgamento de Zambelli ainda está em andamento, com expectativa de condenação, a relação de Bolsonaro com figuras como ela segue sendo um ponto controverso. A declaração de que a deputada foi responsável por sua derrota em 2022 reforça as tensões internas no bolsonarismo, onde críticas e acusações estão cada vez mais evidentes. A continuidade dessa situação pode afetar as estratégias políticas do ex-presidente e seus aliados, especialmente no contexto das disputas futuras.
Autor: Sergey Morozov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital