Tecnologia passou a ter ainda mais importância no cenário atual para combater a disseminação da Covid-19

O CEO da Sinovation Ventures destacou que o coronavírus reforçou a necessidade de se pensar em tecnologias sem contato

Com o formato 100% virtual, surgiu ainda nesta edição a ferramenta de interação do público — com a possibilidade, nada amistosa, de arremessar tomates nos palestrantes. Foi o que ocorreu de forma expressiva quando o CEO da PayPal defendeu forte regulação para as criptomoedas, por exemplo, e em vários outros momentos dos demais speechers. Tema recorrente em cada edição da Web Summit, a inteligência artificial (IA) voltou à pauta das discussões, agora num contexto bem mais dramático: a pandemia. “O futuro da IA, e IA para o bem” reuniu Kai-Fu Lee (CEO da Sinovation Ventures, conglomerado chinês que investe em sete unicórnios) e Simon Segars (CEO da Arm, empresa britânica de tecnologia).

Apesar de todas as dificuldades trazidas pela Covid-19, os painelistas concordaram que ela deixará ao menos um legado positivo: a aceleração tecnológica em benefício das pessoas. “A inteligência artificial ajuda médicos a diagnosticar melhor, salva vidas, contribui com cientistas na descoberta mais rápida de remédios e apoia os CEOs a gerirem melhor suas empresas”, explicitou Kai-Fu Lee (foto). O ex-presidente da Google China apontou que o recurso está fazendo uma “grande diferença” nas indústrias tradicionais, estabelecendo vantagens significativas e promovendo grandes mudanças nos próximos três anos.

Conhecido pela frase “os dados são o novo petróleo, e a China é a nova Arábia Saudita”, o CEO da Sinovation Ventures destacou que o coronavírus reforçou a necessidade de se pensar em tecnologias contactless (sem contato). “Essa é uma área em que a China e outros países asiáticos fizeram um bom trabalho. E isso tem sido muito instrumental para reduzir a propagação da Covid”, ressaltou.

Da pesquisa à vida real
Simon Segars pontuou que, por décadas, a inteligência artificial era basicamente um tópico de pesquisa. Mas, de repente, tornou-se uma tecnologia que se relaciona com todos os negócios. “Hoje, já começou a gerar impacto positivo na vida de todas as pessoas. O ritmo de desenvolvimento dessa tecnologia, nos últimos anos, é incrível”, avaliou. “Há ainda um longo caminho a se percorrer, mas é uma rota sem volta.”

O CEO da Arm salientou que, com a pandemia, as pessoas tiveram de adotar novos hábitos de vida. Passam cada vez mais tempo on-line, seja para pedir comida em casa ou assistir às aulas. “Isso forma uma grande massa de dados”, concluiu, acrescentando que o desafio está em como tirar vantagem desse ativo. Sobre esse aspecto, Kai-Fu Lee foi incisivo: “Assim que nos tornamos mais digitais, surgem mais dados. E, quanto mais dados, mais capaz fica a inteligência artificial. Há muitas tecnologias de inteligência artificial demonstrando que mais dados geram excelentes resultados”.

E quanto ao temor de que a inteligência artificial devastará parte significativa do mercado do trabalho? O CEO da Sinovation Ventures acredita que essa tecnologia é “simbiótica” com muitos empregos. “Os trabalhos que envolvem rotina são substituíveis pela IA, mas isso não vai acontecer de uma vez. E a inteligência artificial não vai retirar o posto de trabalho completamente, porque todos eles possuem tarefas que apenas seres humanos podem fazer”, analisou. E fez uma recomendação ao público da Web Summit: “Pessoas em trabalhos rotineiros precisam ter cuidado e pensar em treinar para novos empregos”.

*O Grupo AMANHÃ está presente em mais uma edição da Web Summit. A curadoria da cobertura tem a assinatura da BriviaDez com geração de conteúdo da Critério — Resultado em Opinião Pública.